Por Gabriel Fabri
Na primeira edição do Jornalismo Sem Fronteiras, lá em Buenos Aires, tiramos sarro quando minha amiga Júlia foi impedida de entrar na balada por ser menor de idade. Hoje, provei um pouco dessa sensação, ao ser barrado na entrada do Senado Federal.
Embora a visita monitorada do grupo ao Congresso Nacional esteja marcada apenas para sexta-feira, fui até lá auxiliar minha amiga Deborah em sua pauta sobre o programa de rádio "A Voz do Brasil". Entrar na Câmara foi tranquilo. Fazer a entrevista, tirando as condições de temperatura ambiente, também.
Foi quando tive a ideia de, já estando dentro do Congresso, procurar os assessores dos parlamentares com quem gostaria de marcar entrevista para a minha pauta. Fui atrás do mais importante: um homem do gabinete do Senador Requião, do PMDB-PR, me pediu para retornar hoje uma ligação que fiz na semana passada para marcar uma entrevista. Pra que ligar se já estava lá?
Descobrimos, na prática, que no Senado não se entra se não for chamado. A ironia é que ganhamos adesivos de visitantes do Senado, mas tivemos que dar meia volta, voltando para a Câmara (o prédio é o mesmo, mas quem vai da Câmara para o Senado tem que passar por novos seguranças. Ainda não entendi a lógica disso).
O primeiro dos perrengues
Uma coisa muito peculiar de acompanhar a entrevista sobre A Voz do Brasil foi o calor da salinha acústica em que gravamos, sem janelas, luz forte e com ar condicionado desligado. Senti na pele, pois estava vestido de social monocromático preto. Me preparando para ser o Ministro do Cerimonial da Deborah, quando ela for presidenta (descobri domingo que existe esse cargo de ministro e me apaixonei). Mas, por enquanto, sou apenas o assistente.
Isso pois, na madrugada de domingo para segunda, percebi que tinha esquecido minhas camisas sociais em São Paulo e precisava de uma urgente, para a visita ao Congresso. Bem que uma polo serviria, mas eu não sabia disso, naquele momento. Após um divertido talk show com o jornalista Fernando Rodrigues, que sucedeu a nossa reunião de pauta, e o almoço, fui correndo com minha amiga Elisa procurar uma Renner em um shopping lá perto da redação do UOL, para comprar a tal da camisa social. Para combinar com o terno preto, tive a brilhante ideia de comprar uma camisa preta. A pressa foi tão grande que peguei uma peça de vestuário, ao invés de uma embalagem fechada. E se a pressa é inimiga da perfeição, pelo menos garante umas histórias engraçadas para contar. Eu não esqueci de trocar a meia esporte que estava usando pela social? Ficava vermelho PT toda vez que olhava para os meus pés.
Inspiração
Quem projetou a transferência da Linha 4 para a Consolação, no metrô de São Paulo, com certeza se inspirou na Câmara dos Deputados. A semelhança rendeu até um selfie, que posto aqui quando me passarem.
A casa do povo
Ser barrado no Senado foi muito engraçado, mas fez com que voltássemos lá pra ponta da Câmara, para falar nos gabinetes dos deputados. E, sim, é tão fácil quanto parece. A sala e o andar estão no site. Mas, confesso, chegamos em frente à porta (ou melhor, às portas, pois eram duas) da Erundina e ficamos sem saber o que fazer. Batemos e deu tudo certo. Não vou conseguir a entrevista, mas tentamos. E na hora de ver outro deputado, entramos sem bater, como mandava a placa.
Eu que conheço a Câmara dos Vereadores de São Paulo, vi que, pelo menos no que se refere às salas dos deputados, o Congresso não tem nada de mais.
Quantos dias vivi hoje?
Conversa com Fernando Rodrigues, aventuras no Congresso, visita ao Itamaraty, conversa com o embaixador Tabajara, caminhadas por Brasilia enquanto ligava desesperadamente para marcar entrevistas, inúmeros passeios de elevador para decidir onde ou o quê eu ia jantar e, por fim, uma longa e divertida reunião do grupo para compartilhar as experiências do dia. Não sei se sou eu que sou esquisito mesmo, mas realmente gosto desses momentos finais. Dão sentido até ao que parece não ter feito muito sentido ao longo do dia, e está sendo muito legal dividir as experiências com o grupo.
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