segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Conversa com Lisandra Paraguassú


Por Gabriel Fabri

A primeira conversa do Jornalismo Sem Fronteiras em Brasília com os correspondentes me lembrou muito a primeira da edição de Buenos Aires, com o jornalista Ariel Palacios (a cobertura desse encontro na época gerou um pequeno texto meu intitulado "Adeus, Glamour", publicado em 2012). Por que ambas foram agradáveis horas de conversa que passaram voando, vencendo o cansaço do vôo, da noite mal dormida e do dia corrido. 

Lisandra se empolgou bastante e deu uma verdadeira "aula" de jornalismo e política, a partir das perguntas do grupo. O caso da jornalista, que trabalha na sucursal de Brasília do Estadão, é ainda mais interessante, pois eu pelo menos nunca havia tido o contato com uma jornalista que cobre política externa em Brasília - ainda mais uma que acompanha a agenda presidencial em outros países. 

Ok, descobrimos que cobrir viagem internacional não é muito diferente do que cobrir qualquer evento presidencial em Brasília, só tem menos tempo para comer e dormir. De novo, a lembrança do Ariel Palacios dizendo que correspondente estrangeiro glamouroso, só nos filmes (ou quem sabe eu um dia, mas seria exceção). 



O que deu pra perceber da dinâmica da cobertura da cidade é que tudo aqui depende de um bom relacionamento com as pessoas. Creio que em qualquer outro lugar não seja diferente, mas aqui, com a proximidade com os representantes da sociedade brasileira, fica mais evidente a importância dos contatos com outros jornalistas, com os assessores e com as próprias fontes. Se na faculdade de jornalismo nos mandam ir para a rua, aqui talvez você não ache muitas pautas. A chave do encontro foi: "conversem". No caso dos jornalistas aqui, a conversa é com os poderosos. 

Mas nós, estudantes de jornalismo que ficaremos uma semana por aqui, sem conhecer ninguém, como podemos nos virar? Dando a cara para bater, claro. Lisandra sugeriu ir para o Congresso, procurar os deputados para abordá-los, mesmo sem entrevista marcada. Fontes acadêmicas? Talvez a Universidade de Brasilia tenha alguém para falar. Checar as agendas dos ministros para ver onde eles podem ser abordados, como não pensei nisso antes? Faço isso para marcar entrevistas com cineastas, ver onde eles vão debater os seus filmes, por que não com os políticos?

Lisandra repetiu um dos conselhos mais maravilhosos que já ouvi na faculdade de jornalismo: perguntem. Jornalista pode parecer burro para a fonte, não pode aparecer para o leitor. E só tendo certeza do que você escreve para fazer um bom trabalho. 

Mãos à obra!

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