domingo, 7 de dezembro de 2014

Sobre o Blog



Esse blog é um diário de viagem informal produzido durante o programa Jornalismo Sem Fronteiras, realizado em dezembro de 2014 na cidade de Brasília. 

O programa levou estudantes e jornalistas para a Capital com o objetivo de conversar com os repórteres que cobrem política na cidade e realizar uma reportagem especial com total liberdade para escolher as pautas e produzir a matéria.

Gabriel Fabri cursa em 2015 o último ano da graduação em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e trabalha, há mais de dois anos, na assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. 

Links úteis:

Site com os destaques do portfólio: http://breakingcasper.com/fabri

Blog de crítica de cinema: http://popwithpopcorn.blogspot.com.br/

CV online: https://sumry.in/gabrielfabri

Versão completa do portfólio:  http://gabsfabri.flavors.me/

Contato: fabri.gabriel@hotmail.com

Missão Cumprida



Por Gabriel Fabri

Foi tudo tão corrido que mal deu pra pensar em vir contar nesse espaço as aventuras dos últimos dias da viagem. Depois de presenciar confusão no Congresso, ser barrado no Senado, ouvir vários jornalistas experientes e ainda visitar o Palácio do Planalto, muita coisa ainda tinha para acontecer. Mas venho aqui com a alegria de dizer que a missão foi cumprida, e foi tão divertido e trabalhoso como imaginava.

Na quarta-feira, visitamos o Palácio do Alvorada e o Palácio do Jaburu. O que vale a pena ressaltar aqui é a conversa que tivemos o jornalista Felipe Recondo, dono do site de notícias jurídicas JOTA. Até pouco tempo atrás, Felipe cobria o Supremo Tribunal Federal pelo Estadão e chegou a virar notícia em um episódio com o ex-ministro Joaquim Barbosa. O legal da conversa é que na faculdade nunca temos contato com jornalistas que cobrem o poder judiciário. Então, tudo o que Recondo falou foi um mundo novo no jornalismo, com as suas dinâmicas próprias. 100% de aproveitamento.

A quinta-feira foi o dia mais agitado, afinal, foi quando finalmente começou de fato a apuração da minha matéria. Calhou das minhas fontes só poderem me atender nessa data. Então, após se assustar com o cantor Lobão hospedado no mesmo andar do hotel que você e uma breve visita na Catedral da cidade, peguei um táxi rumo ao IPEA, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Lá, aconteceu a entrevista com o cientista político Antonio Lassance, que escreve no site Carta Maior.



Em seguida, acompanhei uma amiga em uma visita ao Congresso, em busca de fontes para a matéria dela. Mas fiquei pouco tempo lá, afinal, tinha entrevista marcada com a jornalista do Intervozes Bia Barbosa. Uma hora de conversa muito proveitosa. 

Por fim, a experiência mais marcante da viagem. Fui entrevistar o Senador do Paraná Roberto Requião, do PMDB, em seu gabinete.Chegando lá, perguntaram se eu escreveria a matéria pro jornal do Grêmio da escolinha. Fiquei sem graça, mas encarei como um elogio. O problema foi mesmo na hora da entrevista, quando o Senador me recebe com a seguinte pergunta: "e o que eu posso te falar sobre regulação da mídia que eu já não falei?". Não tinha um pingo de nervosismo até aquele momento (afinal, eu já havia feito muitas entrevistas como aquela, inclusive com políticos mais conhecidos, como o Genoíno do PT), mas a pergunta me desarmou. Requião é um sujeito simpático, mas que impõe presença. Digamos que, se em entrevistas normais  a gente começa nervoso e vai se soltando, naquela eu comecei tranquilão e terminei querendo dar o fora da sala o mais rápido possível. Mas foi divertido e consegui um material muito interessante. 



Depois da entrevista do Requião, começou a loucura para escrever a reportagem, que devo disponibilizar para vocês em breve, Muito material legal coletado para pouco tempo para escrever e entregar o texto. Mas deu tudo certo no final, e a matéria ficou bem legal. 

Nesse meio tempo, fiz outra entrevista, com o diretor do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar); visitamos o Supremo Tribunal Federal e fizemos um passeio de barco pelo lago Paranoá, para encerrar a viagem com chave de ouro. O resto foi trabalho trabalho trabalho comida trabalho comida comida trabalho trabalho trabalho.



Obrigado a todas as meninas que me acompanharam nessa viagem maravilhosa e a Claudia Rossi por nos proporcionar mais uma aventura jornalística inesquecível :) 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Eu acho as pessoas o máximo, por mais filhos da puta que elas possam ser" - Marta Salomon

Por Gabriel Fabri

A conversa após o encontro com a jornalista Marta Salomon, que hoje é assessora especial do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, foi quase unânime: foi resgatada a esperança no jornalismo. 

Vomitei arco-íris a entrevista inteira. Olhinhos brilhando a cada  história que a jornalista contava, a cada dica compartilhada. Como não amar conversar com alguém que logo de cara vem com um discurso de que o jornalista é um empreendedor de políticas públicas?

Por que além da função de fiscalizar o poder, de desmistificar o senso comum, de desconfiar do que é dito e ir atrás do que não é dito, o jornalismo tem uma função social muito importante. Pode fazer cair uma política pública, ou fortalecê-la, apenas por meio da investigação jornalística. Como que o Bolsa Família impacta na vida das pessoas, por exemplo? Saber esse tipo de informação é essencial para a democracia e é também um meio de fiscalizar o governo, mesmo que a informação seja boa para ele. Afinal, jornalismo deve ir contra a manada. Mas isso não significa que deva ser oposição.  

O grande desafio de cobrir Brasília, mas não só, parece uma contradição: desconfie das suas fontes, mas mantenha uma relação de confiança com elas. Fora a delicadeza de andar sempre em um terreno pantanoso, onde há conflitos de interesses acirrados e complexos. Por fim, narrar de forma simples todas essas relações de poder.

Uma dica que Marta deu é a de aproveitar melhor os personagens. E fez isso com um exemplo muito fofo, relatado por ela em uma de suas matérias para o Estadão, para ficar marcado: em uma escola pública, os alunos decidiram pela condenação da educação pública no Brasil. Apenas uma, beneficiária do Bolsa Família, defendeu a escola pública. Com um único argumento: "é para todos". Chorei. 

Em meio a toda essa discussão sobre jornalismo, Salomon soltou a frase que escolhi para abrir o post. "Eu acho as pessoas o máximo, por mais filhos da puta que elas possam ser". Acho que esse gosto pela conversa, pelo outro, é um requisito essencial do jornalismo. Espero nunca perdê-lo de vista.  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Deu treta no Congresso (Esse dia foi loko)

Foto: Gabriel Fabri


Por Gabriel Fabri


Enquanto éramos levados para fora do plenário, durante a tentativa de evacuar a galeria do parlamento, perguntei a um segurança da Câmara se o público de lá era "sempre assim". A resposta: "a oposição ficou mais atuante na plateia depois das eleições, mas em dez anos aqui, eu nunca vi algo como isso". 

Foi um dia que eu e as três estudantes de jornalismo que me acompanharam na visita ao Congresso Nacional, nessa terça-feira, não esqueceremos jamais. Observamos como começa uma votação que seria uma das mais importantes e mais comentadas do ano, a votação sobre o superávit primário, e só sobre isso eu já teria muito o que falar. Mas a noite foi marcada por momentos inesperados, sendo o ápice quando a atenção de todos os parlamentares se voltaram para a chamada "galeria", onde as pessoas podem assistir às sessões. 

Foto: Gabriel Fabri


Conseguimos autorização para entrar na galeria - excepcionalmente hoje, a entrada do público foi feita a partir de um sistema de  distribuição de senhas entre os partidos -  e observar a votação. Só isso, já foi um feito. Não é todo dia que você dá um zoom em sua câmera e vê o Sarney ou o Aécio, por exemplo. Mas tudo aquilo estava muito estranho.

Não sei como é em votações de menor apelo, mas pude perceber como funciona uma plenária. Ninguém chega e está minimamente suscetível a repensar o seu voto. Não há uma discussão e sim um show em que cada deputado ou senador tenta vender o seu discurso - para a imprensa, para o povo, não para quem está lá dentro. 

Olha o Aécio ai gente... (Foto: Gabriel Fabri)


Sessão aberta, começaram os protestos da oposição, que teve até críticas ao suposto "bolivarianismo" do Governo Dilma. A sala estava ainda meio vazia e quase ninguém, com exceção do Presidente da Câmara Renan Calheiros, parecia prestar atenção. Deputados e senadores se cumprimentavam, trocavam ideias, mexiam ao celular, como se nada importante estivesse acontecendo. 

A coisa foi logo esquentando. Ao invés de agilizar a votação dos vetos presidenciais, que deveriam ser votados antes da pauta principal, políticos como o Senador Aécio Neves e o deputado Jair Bolsonaro, como outros nomes do DEM e do PSDB, passaram a se manifestar a favor da liberação das galerias para o público. Detalhe: no café da manhã de hoje, descobri de um jornalista que o sistema de senhas adotado ontem é um procedimento comum na Congresso, no caso de votações mais quentes. Ou seja, a oposição estava jogando lenha na fogueira, pensando ou em aparecer, ou em retardar as votações.  

Os discursos para permitir o povo na casa do povo não combinam com esses políticos, que foram ovacionados pelos poucos cidadãos que conseguiram entrar para assistir. A plateia, entretanto, agiu para reforçar as convicções de quem queria o menos de gente possível lá dentro, no caso, os políticos da base governista: os gritos de "a casa é do povo", que no começo se limitava à cômica presença da senhora Ruth Gomes de Sá, militante do PSDB, se tornaram maiores a cada discurso para a liberação da galeria, e logo foram substituídos por uma versão do insuportável grito "o campeão voltou", que virou "o PT roubou". Bastou alguém do PT falar.

Renan Calheiros olhando a confusão (Foto: Gabriel Fabri)

A situação explodiu quando a Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu o governo Dilma e, enquanto a plateia vaiava eufóricamente o discurso, foi chamada de "vagabunda". Sim, uma amostragem do que foram as recentes manifestações anti-Dilma estava presente hoje no Congresso e não foi nada elegante. 

Em seguida, a líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), exigiu, com razão, que os manifestantes fossem expulsos. Calheiros interrompeu a sessão e ordenou o evacuamento das galerias. 

Se não bastasse a oposição ter trancado as pautas, discutindo por duas horas se abririam as galerias ou não, alguns deputados ainda resolveram tentar sair bem na fita e subiram para as galerias correndo, para manter os "manifestantes" dentro da casa. Os presentes - que vergonha - cantaram o hino nacional e mandaram os parlamentares para Cuba. Então, foi só confusão: policiais da Câmara, manifestantes e alguns deputados, todos juntos na galeria, cercados por jornalistas. Gritos, correrias, agressões. Muito interessante de acompanhar. 

A minha raiva daquela turminha ridícula já havia passado. O que ficou foi a sensação de estar presenciando uma das sessões mais surpreendentes do ano. Nunca pensei que veria a imagem de todos os senadores e deputados olhando para cima. Hoje, o público virou o centro das atenções no Congresso.

Claro que não faltou um selfie após a sessão ser encerrada, sem que a galeria tivesse sido evacuada por inteira. E a nossa amiga Ana ainda teve a chance de correr atrás atrás do Feliciano e conseguir uma declaração exclusiva para a matéria dela, sobre a questão do aborto.     

Selfie no Congresso

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Barrados no Baile



Por Gabriel Fabri

Na primeira edição do Jornalismo Sem Fronteiras, lá em Buenos Aires, tiramos sarro quando minha amiga Júlia foi impedida de entrar na balada por ser menor de idade. Hoje, provei um pouco dessa sensação, ao ser barrado na entrada do Senado Federal. 

Embora a visita monitorada do grupo ao Congresso Nacional esteja marcada apenas para sexta-feira, fui até lá auxiliar minha amiga Deborah em sua pauta sobre o programa de rádio "A Voz do Brasil". Entrar na Câmara foi tranquilo. Fazer a entrevista, tirando as condições de temperatura ambiente, também. 

Foi quando tive a ideia de, já estando dentro do Congresso, procurar os assessores dos parlamentares com quem gostaria de marcar entrevista para a minha pauta. Fui atrás do mais importante: um homem do gabinete do Senador Requião, do PMDB-PR, me pediu para retornar hoje uma ligação que fiz na semana passada para marcar uma entrevista. Pra que ligar se já estava lá?

Descobrimos, na prática, que no Senado não se entra se não for chamado. A ironia é que ganhamos adesivos de visitantes do Senado, mas tivemos que dar meia volta, voltando para a Câmara (o prédio é o mesmo, mas quem vai da Câmara para o Senado tem que passar por novos seguranças. Ainda não entendi a lógica disso).

O primeiro dos perrengues

Uma coisa muito peculiar de acompanhar a entrevista sobre A Voz do Brasil foi o calor da salinha acústica em que gravamos, sem janelas, luz forte e com ar condicionado desligado. Senti na pele, pois estava vestido de social monocromático preto. Me preparando para ser o Ministro do Cerimonial da Deborah, quando ela for presidenta (descobri domingo que existe esse cargo de ministro e me apaixonei). Mas, por enquanto, sou apenas o assistente. 

Isso pois, na madrugada de domingo para segunda, percebi que tinha esquecido minhas camisas sociais em São Paulo e precisava de uma urgente, para a visita ao Congresso. Bem que uma polo serviria, mas eu não sabia disso, naquele momento. Após um divertido talk show com o jornalista Fernando Rodrigues, que sucedeu a nossa reunião de pauta, e o almoço, fui correndo com minha amiga Elisa procurar uma Renner em um shopping lá perto da redação do UOL, para comprar a tal da camisa social. Para combinar com o terno preto, tive a brilhante ideia de comprar uma camisa preta. A pressa foi tão grande que peguei uma peça de vestuário, ao invés de uma embalagem fechada. E se a pressa é inimiga da perfeição, pelo menos garante umas histórias engraçadas para contar. Eu não esqueci de trocar a meia esporte que estava usando pela social? Ficava vermelho PT toda vez que olhava para os meus pés. 

Inspiração

Quem projetou a transferência da Linha 4 para a Consolação, no metrô de São Paulo, com certeza se inspirou na Câmara dos Deputados. A semelhança rendeu até um selfie, que posto aqui quando me passarem. 

A casa do povo

Ser barrado no Senado foi muito engraçado, mas fez com que voltássemos lá pra ponta da Câmara, para falar nos gabinetes dos deputados. E, sim, é tão fácil quanto parece. A sala e o andar estão no site. Mas, confesso, chegamos em frente à porta (ou melhor, às portas, pois eram duas) da Erundina e ficamos sem saber o que fazer. Batemos e deu tudo certo. Não vou conseguir a entrevista, mas tentamos. E na hora de ver outro deputado, entramos sem bater, como mandava a placa.

Eu que conheço a Câmara dos Vereadores de São Paulo, vi que, pelo menos no que se refere às salas dos deputados, o Congresso não tem nada de mais.  

Quantos dias vivi hoje?

Conversa com Fernando Rodrigues, aventuras no Congresso, visita ao Itamaraty, conversa com o embaixador Tabajara, caminhadas por Brasilia enquanto ligava desesperadamente para marcar entrevistas, inúmeros passeios de elevador para decidir onde ou o quê eu ia jantar e, por fim, uma longa e divertida reunião do grupo para compartilhar as experiências do dia. Não sei se sou eu que sou esquisito mesmo, mas realmente gosto desses momentos finais. Dão sentido até ao que parece não ter feito muito sentido ao longo do dia, e está sendo muito legal dividir as experiências com o grupo.   

Conversa com Lisandra Paraguassú


Por Gabriel Fabri

A primeira conversa do Jornalismo Sem Fronteiras em Brasília com os correspondentes me lembrou muito a primeira da edição de Buenos Aires, com o jornalista Ariel Palacios (a cobertura desse encontro na época gerou um pequeno texto meu intitulado "Adeus, Glamour", publicado em 2012). Por que ambas foram agradáveis horas de conversa que passaram voando, vencendo o cansaço do vôo, da noite mal dormida e do dia corrido. 

Lisandra se empolgou bastante e deu uma verdadeira "aula" de jornalismo e política, a partir das perguntas do grupo. O caso da jornalista, que trabalha na sucursal de Brasília do Estadão, é ainda mais interessante, pois eu pelo menos nunca havia tido o contato com uma jornalista que cobre política externa em Brasília - ainda mais uma que acompanha a agenda presidencial em outros países. 

Ok, descobrimos que cobrir viagem internacional não é muito diferente do que cobrir qualquer evento presidencial em Brasília, só tem menos tempo para comer e dormir. De novo, a lembrança do Ariel Palacios dizendo que correspondente estrangeiro glamouroso, só nos filmes (ou quem sabe eu um dia, mas seria exceção). 



O que deu pra perceber da dinâmica da cobertura da cidade é que tudo aqui depende de um bom relacionamento com as pessoas. Creio que em qualquer outro lugar não seja diferente, mas aqui, com a proximidade com os representantes da sociedade brasileira, fica mais evidente a importância dos contatos com outros jornalistas, com os assessores e com as próprias fontes. Se na faculdade de jornalismo nos mandam ir para a rua, aqui talvez você não ache muitas pautas. A chave do encontro foi: "conversem". No caso dos jornalistas aqui, a conversa é com os poderosos. 

Mas nós, estudantes de jornalismo que ficaremos uma semana por aqui, sem conhecer ninguém, como podemos nos virar? Dando a cara para bater, claro. Lisandra sugeriu ir para o Congresso, procurar os deputados para abordá-los, mesmo sem entrevista marcada. Fontes acadêmicas? Talvez a Universidade de Brasilia tenha alguém para falar. Checar as agendas dos ministros para ver onde eles podem ser abordados, como não pensei nisso antes? Faço isso para marcar entrevistas com cineastas, ver onde eles vão debater os seus filmes, por que não com os políticos?

Lisandra repetiu um dos conselhos mais maravilhosos que já ouvi na faculdade de jornalismo: perguntem. Jornalista pode parecer burro para a fonte, não pode aparecer para o leitor. E só tendo certeza do que você escreve para fazer um bom trabalho. 

Mãos à obra!